Ufa, chegou o dia em que publico os posts voltados a fazer os neurônios dos leitores pularem, e, em explosões sinápticas, transformarem uma leve desconfiança em certeza absoluta: de que a vida independente tem mais a somar do que a subordinada às grandes estruturas. Sim, a função de minha coluna é essa. Reforçar o seu protagonismo e sua sintonia com o mercado. E fazer as duas características conviverem juntas.

Nessa luta, sim porque é uma batalha sustentar suas próprias ideias, uma situação muito recorrente é a briga entre “Os grandes conceitos” e o “Pequeno do mundo”. Filosófico demais? Por isso vou utilizar um exemplo bem concreto e mundano: o título de um post em um blog qualquer.

Vamos supor que você roda um projeto de conteúdo e quer fazê-lo bombar. A necessidade, para todos, costuma ser a mesma. O que muda – na vida, na carreira, nos relacionamentos – é a sua interpretação da necessidade.

Se você estiver conectado ao “Pequeno do mundo”, vai enxergar a solução mais fácil, o atalho da modinha da vez, aquilo que render likes e compartilhadas mais rápido. Sabe como será o título do seu post?

“2 maneiras para incrementar os títulos dos seus posts”

Falaram para você que isso dará mais visibilidade, que o Google vai enxergar você melhor e que títulos com números tem mais chance de serem clicados no Twitter. E você continuará preso às mesmas questões de sempre. E sua temática será um cabedal de dicas inúteis para problemas auto-inventados.

Nos eventos, você continuará ouvindo as mesmas respostas para as mesmas perguntas. Até porque você estará sempre focado em respostas. Quando o segredo é buscar as perguntas certas. E, claro, se levará muito a sério.

Mas e se você se concentrar nos grandes temas?

Por outro lado, caso você opte pelo caminho mais difícil, vai se preocupar com outras questões. Legado, por exemplo. O legado vai além da reputação. O legado é a reputação que passou pelo crivo do tempo.

Quando você foca em deixar um legado, trabalha todos os dias das 5h30 da manhã até as 20h e fica sem dormir quando, por exemplo, não conseguiu quitar todas as suas dívidas (financeiras ou não) de quem depende de você.

Você pode focar, por exemplo, na formação dos seus leitores no lugar de querer ter muitos seguidores. Isso quer dizer, na prática, montar pautas, publicar todos os dias, mostrar para quem ouve e lê você que é importante investir em sua formação lato senso, humanística, moral, valores, ética etc.

Vai responder à 5 mil e-mails nos últimos oito anos. Vai oferecer respostas que vão mudar algumas vidas e outras que poderiam ser cobradas como consultoria, mas que você vai preferir ver germinar como o progresso de uma vida e da família ao seu redor.

O título do seu post não terá tanta necessidade de ser enxergado pelo Google, porque os olhos de um robô, principalmente de um (ou vários) que não segue as três leis da Robótica, assustam você.

E, não tendo medo de ter medo, vai insistir como o honorável Dom Quixote de La Mancha, oferecendo livros, referências, aquilo que você faz de melhor para a sua geração. Não cobrando nada em troca, mas apenas investindo na necessidade de um mundo mais ético, justo e, sim, épico. Onde grandes temas, pessoas e feitos ainda são possíveis.

E se você chegou até aqui, não se furte em comentar e me dizer o que sentiu ao ler esse texto. Mostre que você vai além de um dedão levantado que, caso estivéssemos em Roma serviria apenas para dizer que meu inimigo vai me deixar viver.

Você deixa viver?