Que tal redigir um artigo sobre um novo modelo de saco de dormir de manhã; entrevistar um personal trainner a tarde e, para fechar bem, a noite produzir um passo a passo sobre a mais moderna máquina de costura? Interessou? Ou seu lance com o jornalismo é a área cultural?

Uma das coisas que mais me irritava na faculdade era aquela galera que confundia jornalismo com novela. Tudo bem, a Fátima Bernardes sempre aparece bela e faceira na tela, mas ao contrário do que muitos estudantes pensam, ela não é enfeite e investiu – junto com o maridão e a equipe – um dia inteiro de trabalho para poucos minutos de notícias.

Participar de uma coletiva com o Kaká, entrevistar o José Mayer ou o Caetano Veloso, não fará de um deles seu companheiro de pelada no domingo. Trabalhar numa editoria de cultura é bem mais do que ganhar ingressos, colecionar autógrafos e xavecar ex-BBBs.

Além disso, as vagas em qualquer setor são bem escassas então é melhor estar preparado para fazer, e fazer bem, um pouco de tudo. Com a queda da exigência do diploma para exercer a profissão a concorrência aumentou muito. E os publicitários estão aí para comprovar que a fórmula para conquistar e manter seu lugar no mercado de trabalho é mostrar a que veio.

Você é o que você rende

Você pode colecionar diplomas e certificados ou ser afilhado do dono. Pouco importa. Numa sociedade de resultados o que vale é o que você produz e quanto isso rende para você, seus patrões ou clientes.

Se você atende a necessidade do seu público, provavelmente, será valorizado por isso. Caso isso não ocorra, prepare o portfólio e busque o reconhecimento em outro lugar. Pode ser outra empresa ou um freela. Só não se esqueça do velho ditado: “mas vale um na mão do que dois voando”. Antes de qualquer mudança é necessário avaliar as implicações e saber como “se garantir” caso o plano inicial não dê certo.

Se você não tem preferência por área de atuação ou reconhece que nem sempre o job é sobre o tema que você domina é hora de se especializar no geral. O raciocínio é simples: você entrou ou pretende entrar nesse universo de freela. Isso exige aptidão para fazer várias coisas ao mesmo tempo ou você acha que o síndico vai esperar você terminar o projeto para tocar a campainha? Então, se você já sabe fazer coisas diferentes simultaneamente não há dificuldades em redigir sobre um pouco de tudo.

Confesso, talvez existam algumas dificuldades ‘mínimas’. Mas não é preciso ficar nervoso, também existe o CarreiraSolo.

Por onde começar?

Trabalhando com tantos temas diferentes todos os dias é normal que de vez em quando falte inspiração para começar. Sempre há um assunto no qual você é bom e tem mais facilidade para escrever. Isso pode acontecer porque você trabalhou um longo período num jornal do sindicato dos juristas e acabou absorvendo até o que não queria; ou, simplesmente, porque você é fascinado por esportes e sabe recitar de olhos fechados os times de futebol americano em atuação no Brasil. Não importa a causa, o que vale é que 1/3 do trabalho será executado facilmente. Quanto aos temas que você desconhece… Informe-se! Aprenda!

As (falsas) promessas de São Google

São Google esta aí para responder as perguntas mais esdrúxulas, seria muita injustiça do olimpo não disponibilizar um site confiável sobre o que você precisa escrever. Use o bom senso: desatualização; erros de português; textos mal redigidos; poucos acessos, links ou comentários, são pistas de que a página pode não ser tão séria quanto deveria. E, mesmo quando estiver convencido de que a fonte é segura, verifique em outros canais, apenas por garantia.

Muitas vezes, ainda na primeira página que apresenta os resultados da busca é possível visualizar a mesma frase iniciando o texto em diferentes origens. Ninguém se preocupa em disfarçar a apropriação indébita. A utilização do Ctrl C/ Ctrl V ocorre em larga escala, demonstrando a penúria de idéias. Não caia nessa armadilha.

Leia, entenda, estude e só então escreva sobre o tema. Seja competente. Não utilize sinônimos apenas para diferenciar seu texto do original. Mostre que você é um redator, não um repetidor.

Onde me inspiro?

 O papo é manjado, mas continua valendo. Jornais, revistas, livros técnicos, literatura, filmes, músicas, bate-papo com os amigos (ao vivo)… São essas informações que irão abastecer sua mente para que você possa transitar com autonomia entre jobs sobre hds externo, potes de plástico e carrinhos de bebê. Não menospreze a informação que te diverte.

Com essas referências será mais fácil por em dúvida o que você encontra nas suas pesquisas para o trabalho; novas palavras serão incluídas no seu vocabulário e sua vivacidade será transmitida nas entrelinhas.

Lembre-se de que o mundo é ainda maior e mais variado do que a internet. Amplie sua compreensão. Converse informalmente com quem entende do assunto que para você é tão complexo, assim, será bem mais fácil entender e tirar dúvidas.

Quando for solicitada uma entrevista, dê preferência a quem dispõe de assessoria de imprensa. O assessor de imprensa sério conhece a importância de cumprir prazos e isso já alivia 50% da sua dor de cabeça, porque, provavelmente, não haverá desculpas ou enrolação.

Além disso, o entrevistado que conta com uma assessoria será orientado previamente sobre o foco da publicação, os objetivos da entrevista, enfim, o papo não sairá dos trilhos e isso poupa muito tempo na hora da redação.

Ajuste o foco

Seu cliente tem um perfil e parte da aprovação do trabalho produzido esta vinculada a compreensão deste estilo. Diretores austeros podem ficar incomodados com textos engraçadinhos; empresas que ambicionam uma aproximação com o grande público terão ressalvas com artigos muito técnicos… É preciso entender a proposta inerente a cada job para incorporar a atitude do projeto e conquistar a aprovação.

Não há garantias

Você pesquisou até em sites de entidades internacionais, conversou com dois ou três feras no assunto, checou as informações na enciclopédia da sua mãe, trabalhou o texto com rigor para adequá-lo ao gosto do cliente e, ainda sim, o job voltou com várias solicitações de mudança… Seja bem vindo ao mundo real.

Isso acontece mesmo e com mais freqüência do que qualquer freela gostaria porque cada trabalho que volta representa menos tempo para uma nova tarefa. Então, o caso é arregaçar as mangas e encarar as opções:

  • Você pode seguir tudo a risca, corromper a idéia inicial do texto e se livrar do problema.
  • Você pode recusar todas as mudanças, bater o pé pelo seu ‘direito de autor’ e deixar que o cliente contrate outro na próxima vez.
  • Você pode modificar o que for plausível e argumentar claramente em defesa das suas idéias.

A não ser que o seu cliente/chefe seja o Briatore sugiro a terceira opção. O diálogo irá ajudá-lo não só na aprovação do texto como também na compreensão da filosofia do cliente e na ampliação do seu conhecimento. Mas não seja insistente ou desagradável, saiba ponderar o momento certo para conversar.

E se a minha mente travar?

Para evitar que tanta informação cause um bloqueio ou prejudique seu desempenho é bom ter uma forma de extravasar o que absorveu profissionalmente. Algumas pessoas acreditam que sem esvaziar a mente após um projeto não há comum novas idéias surgirem.

Pelo sim, pelo não muita gente pedala, dança, dorme ou acampa para exorcizar. Após dias e dias redigindo sobre qualquer coisa eu prefiro aliviar a mente… escrevendo. Postando meus pensamentos inúteis num blog ganho espaço na mente para os projetos que ainda estão por vir.