“Ih, o cara na foto tem barba…”. De início não percebi quem me saudava no fundo do estúdio porque, na foto mental que eu – também erroneamente – guardava na memória, Christian Gurtner, um dos podcasters mais talentosos que o Brasil já ouviu, por sua vez, também não tinha a sua. Ele repete: “Ih, o cara na foto tem barba, como é isso?”. O rapaz da técnica me indica: “Ele é o outro entrevistado do programa, você conhece?”

“Conheço. Já até trabalhamos juntos.” Mas seria a primeira vez que apertaríamos as mãos. Sentamos no camarim enquanto o pessoal se preparava para gravar e começamos a trocar ideias sobre novas plataformas de publicação, sua carreira de aviador, a minha de “alguma coisa entre gestor de equipe e dono de produtora”, falo de projetos novos que tenho para um programa inteiramente novo. “Esse vai vingar”, vaticina. Eu acredito.

Poucos minutos depois, somos entrevistados justamente sobre estas questões, que você pode ver logo acima no vídeo de nossa participação no “Conexão Futura” sobre, justamente, o mercado de Podcasts no Brasil. Falamos sobre a importância da comunidade, de conhecer seus ouvintes, de manter um compromisso com a periodicidade dos programas e saber sobre o que se está falando.

Mas, também, falamos das dificuldades e do que falta para o podcast deslanchar no país. “Falta investir na formação de público”, repito algumas vezes. “Falta ouvir quem não ouve podcast”, arrisco em uma tentativa de aliteração para reforçar o efeito das palavras. Falta muita coisa.

Só não faltou uma sensação interessante e nova: a do longo prazo da comunicação digital. Instantâneos que somos, tendemos a buscar resultados reais em pouco tempo. E isso, não funciona. Minutos antes do nosso papo em grupo, tinha conversado sobre minha trajetória enquanto podcaster, em uma entrevista sozinho. Da primeira vez que gravei minha voz até hoje, já temos mais de 10 anos. 10. anos.

Talvez a gente esteja apenas começando. E talvez nunca tenha fim.

O papo termina, caminhamos correndo para o elevador. Eu tento não revelar que sou seu fã desde este episódio aqui, publicado há mais de 10 anos em sua versão original. Foi a primeira vez que sentei no meio da rua e só voltei pra casa quando o seu relato sobre um obscuro personagem alemão do século XVIII terminou. E entendi que aquilo que chamavam de podcast teria um futuro interessante nos próximos anos.

Só não esperava que fizesse parte deste futuro.

“Foi um imenso prazer te conhecer”, falamos ao mesmo tempo. Pegamos táxis apressados e eu lembro que a região é perigosa e que aqui, afinal, é Rio de Janeiro. “Jacarepaguá”, por favor. “E esse calor, hein?”, pergunta o taxista.

É, o caminho será longo.