Prólogo

Este material sobre o projeto Carreirasolo.org era confidencial até eu digitar o último ponto final. Daí, pensei, que coisa menos internética, né? Confidencialidade. Daí resolvi dar o formato de artigo, no qual registro o novo posicionamento “do projeto mais querido”. Aproveito também para cutucar meus prováveis leitores para me ajudarem na construção desta nova realidade. Foi isso.


INTRODUÇÃO

O dia de hoje começa em 1992

Houve um momento, na metade final da década de 90 do século XX, que o mundo descia, já de joelhos e empolgadíssimo em uma prancha imaginária, aquela onda perfeita formada de promessas de renovação infinitas.

Os pactos de sustentabilidade da Eco-92, o governo democrata de Bill Clinton, o final da União Soviética. Até aqui no Brasil, o Plano Real, nos faziam pensar que a “década perdida” havia ficado para trás. E o que nos esperava pela frente era um mundo diferente, apenas com tubos perfeitos.

Nele, trocaríamos átomos por bits, tornando virtuais todas as empresas e instituições. Isso porque formaríamos de maneira assíncrona e independente do seu espaço físico, coletivos pensantes que extrapolariam o nosso poder de imaginar, criar e interagir uns com os outros.

Em pouco tempo, daríamos saltos evolutivos exponenciais. Em pouco tempo, nem o tempo mais faria sentido. Tudo seria líquido, fluido, instantâneo. O que só a miopia daqueles que vivem o seu momento presente não permitia ver, mesmo que fazendo história sem ter a perspectiva histórica necessária para uma auto censura, era que estávamos também criando rachaduras nas bases daquilo que nos trouxera até ali.

 que com o mundo de bits geramos a falência da atenção. Os diversos coletivos virtuais dos quais participamos hoje pensam de forma segregada e retrabalham com a ajuda de algoritmos, o viés de auto afirmação, este sim o único atributo de nossa capacidade imaginativa a crescer exponencialmente.

Tudo hoje é superficial e a voz parece não acompanhar a audição. Falamos cada vez mais na tentativa de ouvir cada vez menos.

Moldamos em barro mole homúnculos imperfeitos, réplicas de nossos próprios pensamentos tortos, dada a incapacidade de praticar o olhar para o outro.

E, sim, tudo hoje é líquido, fluido e instantâneo.


Ou será que não?

Talvez existam aqui e ali, uma vez quebrada a imposição das linhas do tempo que nos bombardeiam com mais do mesmo a cada segundo; quem não tenha se contaminado. Ou que tenha aprendido a viver de forma mais criativa neste mundo que, senão é o que sonhamos, é o que nos mantém acordados.

Quem sabe existam pessoas que mudaram a forma de entender as relações sociais, promovendo igualdade e compartilhando entendimento?

Ou então, retrabalharam as já desgastadas formas de trocar trabalho por sustento, apresentando um novo olhar para a realização profissional?

Algumas destas pessoas podem ter encarado a tecnologia como apenas uma ferramenta e utilizado estes “utensílios modernos” para recriar nossa relação com essa imensa quantidade de dados que produzimos.

Por que não acreditar que existe quem leva sua relação com o poder criativo a outro nível? Que manifestam em sua arte sua mensagem e legado como registros do momento atípico em que vivemos?

Eu acredito que elas existem. Só que temos tanto ruído ao redor que não conseguimos ouvi-las. A estas pessoas, eu, lá no projeto Carreirasolo.org, estou começando a chamar de Agentes de Ruptura. E, a partir desta nova fase, minha missão enquanto editor deste espaço desde 2004 no ar, será apresentar estas pessoas a você, meu leitor.

Mas, antes de seguir, cabe um recado para aqueles que me acompanham desde 2004

Se você é meu leitor desde as “duas grandes ondas” que tivemos (a primeira com a fundação em 2004 e a segunda com o podcast a partir de 2008), pode estranhar. Pode até não entender por que um site + podcast dedicado ao mercado freelancer/empreendedor, depois de um hiato de quase 10 meses, resolve simplesmente se reinventar e mudar seu posicionamento.

A você, que ajudou em minha jornada desde sempre, eu dedico esta parte do editorial.

Vamos lá. Imagine que você é um redator publicitário que, depois de passar por diversas agências de propaganda no mercado carioca, decide encarar o mundo digital. Isso faz todo sentido agora, mas em 1999 a reação mais educada a este posicionamento era uma sobrancelhada das pessoas.

Agora, imagine se tudo tivesse dado errado. Depois dessa que seria uma jornada gloriosa, você voltar para o quarto dos fundos da casa dos seus pais, com família formada, olhando para um monitor de 14 polegadas clicando pela primeira vez no “Publicar” do seu blog.

Sobre o que você iria falar? Sobre esse processo, certo? Sobre os erros e acertos. Dicas para trabalhar por conta própria, uma vez que era o que você tinha no momento. E, por sorte, poderia dar certo. Ter alguns leitores e conhecer pessoas interessantes.

Pense que o redator publicitário conseguiu se transformar em gerente de conteúdo. Sobre o que ele vai falar? As mesmas dicas de anos atrás? Não, por que a vida anda pela frente.

Ele vai mostrar, para as pessoas interessantes que encontrou pelo caminho, como outras pessoas conseguiram, através de suas dicas, encontrar os seus caminhos.

Ande mais algumas casas neste tabuleiro do jogo da vida e o gerente de conteúdo largou tudo e abriu sua própria produtora e está agora correndo para lá e para cá, girando pratinhos como um chinês no circo, para atender seus clientes, pagar a equipe, os impostos, divulgar seus serviços e planejar o futuro.

Qual será a história que fará ele sair da cama todos os dias com aquele gás extra? Lições de empreendedorismo para as pessoas, claro. E, claro, transformar o ambiente que criou em outro negócio.

Calma que não estou dizendo que isso foi bom

Parece ótimo: o registro evolutivo de um profissional digital do século XXI, certo? Mais ou menos. Percebam que isso acaba gerando uma necessidade de constante mudança de rumo e, o que não é lá muito bom, a perda de todo o trabalho feito até então.

Perda pode ser um exagero. Digamos que se perder a unidade, a voz, o tom.

É como ficar pintando um carro velho todos os meses e se esquecer de abrir o motor, trocar as válvulas, lixar o cabeçote, trocar as correias, sabe?

Foi quando eu percebi que precisava cortar este ciclo e focar naquilo que seria essencial a todos os grupos e maturidades profissionais. Até deixei no texto aí em cima em negrito para você perceber. Volta lá.

Leu?

Pois é, pessoas. Elas vão libertar o projeto Carreirasolo.org.

Libertar do quê exatamente?

Quando decidir fazer esta mudança de foco, a minha necessidade era bem pontual: me libertar dos modismos e jargões pseudo-empreendedores que o conteúdo acaba herdando, quer a gente queira, quer não.

Calma, eu explico. 

  1. É porque a gente acaba vendo várias ondas com o tempo. Uma hora eram os aplicativos, depois o lean startup, logo ainda mais a frente o mindset. Não que eu tenha enveredado por estas falácias que tão facilmente as mentes mais atentas derrubam. Mas, ao embarcar na mesma tendência, você acaba se misturando de alguma forma. Este é o primeiro ponto, portanto. Focando em pessoas, eu me liberto das modinhas startupeiras.
  2. Outro ponto importante é que, na minha visão de editor, tantas fases e “pivotagens” cobraram ao longo do tempo uma atenção redobrada do público leitor do projeto. É comum receber e-mails até hoje de gente com dúvidas sobre o Universo Freelancer, sobre startups do mercado de assinaturas de produtos, estratégia de conteúdo etc etc etc. Ao tentar arranhar tantos temas, tenho a impressão que acabei por confundir alguns leitores.
  3. Mais do que isso, um terceiro ponto importante: não foram poucas as vezes que deixei passar uma história interessantíssima por achar que ela não se encaixaria em nenhuma das editorias do projeto. Ok, você pode dizer que a função do editor é justamente essa: cortar. Só que, com o tempo, comecei a notar que cortava as coisas que queria e deixava aquilo que não mais me animava como produtor de conteúdo.
  4. O que nos leva ao último grande motivo: falando só do mundo empreendedor e startupeiro eu deixo de fora grande parte de um possível público interessado em boas histórias. Excelentes histórias. Ou seja: deixo de ter um público maior.

Enfim, ao focar em pessoas, com um amplo espectro de atuação, travo meu foco enquanto aumento potencialmente o meu público. Essa parece ser a motivação que o projeto demanda em seus 13 anos de atuação. Ou seja:

O projeto Carreirasolo.org vai encontrar, contar e disseminar as histórias dos Agentes de Ruptura do século XXI. Mostrar como eles conseguem se reinventar, reinventar quem está ao seu redor e, aos poucos, rasgar o tecido da realidade. Acredite, essas pessoas existem. E sabe o que é melhor? Você pode ser uma delas.

Agora é aquela hora em que eu explico como isso vai acontecer.

SEGUINDO EM FRENTE

Sobre quem o projeto Carreirasolo.org vai falar a partir de agora

Vamos agora aprofundar um pouco mais no que seriam esses Agentes de ruptura? A primeira abordagem que precisamos fazer é que não se trata de um grupo homogêneo. Antes disso, é um aglomerado de perfis, profissões, histórias de vida e planos para o futuro em sua totalidade regido por entropia.

Ou seja: tem gente de todo o tipo. Mas, para facilitar o nosso trabalho de captura destas histórias, fiz aqui uma classificação rápida.

Social

Pessoas que enxergaram nas movimentações cíclicas da sociedade, alternativas de quebras de paradigmas e influenciaram a vida dos que estavam ao seu redor.

Aqui nesta caixinha estão os criadores de movimentos sérios de inclusão dos mais variados, agitadores culturais por excelência ou até mesmo profissionais que, mesmo imersos em estruturas maiores e naturalmente opressoras, conseguiram enxergar caminhos para o acolhimento e a inovação.

Criativa

Aquelas pessoas únicas que utilizam a matéria-prima da realidade para digerir um processo de mudança e criação, apresentando ao mundo peças das mais variadas.

O suporte final deste vigor criativo pode e deve ser o mais diferenciado possível. Estou falando de literatura, artes-plásticas, cinema, quadrinhos e muitos outros.

Econômica

Há quem também enxergue forma de romper com os paradigmas dentro da realidade econômica das coisas.

Claro que o assunto do ano neste campo foi o BitCoin ou, se você quiser um rigor técnico mais apurado em minha declaração, as blockchain.

Mas nada impede que a gente fale de outras instâncias também, como crédito popular em comunidades, por exemplo.

Tecnológica

O nome melhor seria até mesmo Inovação, mas dado o seu desgaste fiquei com tecnológica mesmo. Aqui, como nas outras classificações, o que conta é o lado genérico do termo. Então, estamos falando de personalidades atuantes no campo da ciência, desenvolvimento, inteligência artificial entre outros.

Ok, classificados, os Agentes de Ruptura começam a demandar que a gente conte as suas histórias. Mas como?

Como vou contar as histórias dos Agentes de Ruptura do século XXI no Carreirasolo.org?

Para ser bem didático, vamos dividir esta resposta em três momentos: o encontrar, o contar e o disseminar.

O ENCONTRAR

Sem dúvida alguma, será meu maior desafio. Tenho nos últimos dois meses feito uns ensaios e perguntando em minhas redes sociais sobre exemplos de pessoas que mudaram seu ambiente, que criaram projetos marcantes e coisa e tal.

Até aqui?—?lancei este editorial/long-manifesto em novembro de 2017?—?encontrei alguns perfis interessantes, que você deve ver nesta fase inicial do lançamento deste novo posicionamento.

Se você conhece Agentes de Ruptura com esta pegada?—?ou outras que julgue alinhadas com o Carreirasolo.org, é só me mandar uma mensagem a partir do formulário de contato ao final deste texto.

O CONTAR

Vai ser uma delícia fazer porque estou trabalhando no modo mais “slow content” possível. Ou seja, artigos bem trabalhados, podcasts bem pensados?—?se possível, temporadas inteiras -, vídeos bem editados, content design de primeira. Enfim, tudo o que quis fazer mas sempre me vi preso por força das circunstâncias a deixar de lado.

O mais bacana é que a gente pode abordar a trajetória do Agente de Ruptura de diversas maneiras. Sentir de acordo com a pessoa que formato rende mais.

  1. Perfil: podemos fazer mini-biografias apresentando a trajetória de vidas interessantes, mesmo as que já se foram. Aqui, além do podcast, podemos fazer vídeos bacanudos com inserts de cenas sobre o retratado.
  2. Slice of Life: um grande momento que justifica toda uma existência. Este tipo de abordagem nos dá uma carga dramática maior. Funciona muito bem com Agentes de Ruptura que tenham passado por um momento de transformação bem marcado que tenha impacto em nossa audiência.
  3. Case: não descarto apresentar um case profissional também. Se for interessante alinhado com o que buscamos retratar, podemos abordar a história no formato tradicional de Problema/Solução/Resultados.
  4. Entrevista/papo de mesa: gosto muito da ideia de reunir alguns dos perfis que encontrarmos para um papo ao vivo, captado no calor da discussão. Funciona quando formos trazer temas que consigam reunir todos os perfis debaixo de um mesmo guarda-chuva.

O DISSEMINAR

Será a forma como os conteúdos ganharão volume e impulsionamento dentro do projeto e em suas redes sociais.

Os episódios do podcast FalaFreela serão a sua peça central. A partir deles, todas as semanas, vamos apresentar o Agente de Ruptura através de seu perfil, slice of life, entrevista, papo de mesa etc.

Não descarto a ideia de, aos poucos, migrar um ou outro episódio para formato em vídeo. De repente eu até investirei em algo híbrido: trailers de programas em podcast feitos em vídeos, por exemplo. Ou ainda, animações em cima do áudio do podcast para soltar no Youtube.

O importante a entender é que a cada novo programa central, todo o site vai acompanhá-lo. É como ele ditasse o tema do site naquela semana. Ou seja, a cada programa, teremos duas vertentes:

  1. Posts/Social : Posts rápidos sobre tema, buscando relação com assuntos QUENTES da época. É como fazemos hoje com a categoria “Sintonia”. Através dela conseguimos captar movimentos e tensões decorrentes do programa em questão que estejam pulando no mundo de nosso tempo.
  2. Sala 101, Long Forms ou eBooks: Passado o momento inicial desdobramos os feitos dos entrevistados, em uma pegada ainda mais aspiracional, mostrando como o leitor/ouvinte PODE VIR A SER ASSIM. Pretendo fazer isso na forma de episódios curtos do Sala101 ( o segundo podcast do projeto), vídeos nas redes sociais e também com material um pouquinho mais denso, como Guias, eBooks e Long Forms. A ideia aqui é ir populando a hashtag #QueroSerAssim: Guia com Dicas de como seguir os passos do entrevistado. Trabalhando o lado aspiracional da coisa.

Incrível como apenas colocar estas ideias no papel já me deixou mais leve!

E o que a gente faz a partir de agora? Já deu para perceber que a gente vai ter muito trabalho, certo? E se tem uma coisa que aprendi ao criar a contemconteudo.com é que um trabalho grande precisa ser fatiado sempre.

Por isso, vou criar um projeto piloto no finalzinho de 2017 para a gente testar este conceito. É aí que você, meu leitor, me ajuda.

Ao final deste texto, você encontra o link para uma página. Nela, você vai me ajudar a encontrar os Agentes de Ruptura que acredita que possam figurar neste piloto ou, quem sabe, na temporada do ano que vem.

Prometo que vou avaliar cada uma das sugestões com o mesmo carinho que tive para criar este documento. E, claro, gerar boas histórias a partir disso.