Dicas para transformar você em um freelancer sem medo

Quem acompanha a série original da Netflix sobre o herói mascarado Demolidor, deve ter visto a cena que a imagem destaque remete. Nela, os novatos advogados do bairro novaiorquino de Hell’s Kitchen, Matthew Murdock e Franklin Foggy Nelson recebem uma proposta vinda de um misterioso “empregador” representado pelo personagem James Wesley para defender o acusado de um crime de assassinato alegando autodefesa.

Na cena, Foggy, percebendo a furada, tenta descartar a oferta do misterioso “empregador” alegando que são cuidadosos na escolha de clientes mesmo não tendo nenhum no momento. É nessa hora que o sexto-sentido do Demolidor na pele do advogado cego Matthew é aguçado por solucionar um crime até maior do que é apresentado aos dois, e mesmo concordando com a frase do seu amigo, acaba aceitando em fazer a defesa, ignorando a deixa do amigo sobre a “furada”.

Claro que eu não vou contar o resto da ótima série, mas sim relatar sobre o meu episódio de “furada” recente!

Um amigo meu me chamou no Facebook Messenger e me avisou que estava indicando o meu nome para uma pessoa que vou chamar de “prospecção” (por razões óbvias!), dizendo que não podia pegar o trabalho pois estava sem tempo. Situação ok, fiquei feliz com a indicação do amigo e aguardei o contato.

Não tardou muito, e no fim do mesmo dia eu recebi o e-mail dessa prospecção conforme o meu amigo havia dito. A mensagem além de muito mal-escrita (depois explico a relevância disso!) estava num tom de muito pouca paciência e atenção para o assunto. O e-mail era muito confuso e não deixava claro o que queria exatamente, e depois de ler algumas vezes fiz a seguinte análise:

A prospecção queria um orçamento rápido para um site que fosse IGUAL ao de dois concorrentes, baseado em efeitos individuais existentes em cada um deles. Os sites eram visivelmente amadores e a escolha me pareceu apenas para o que eu gosto de chamar de “site pro meu concorrente ver que eu tenho“. Ela também indicava os links no menu e não dava a menor intenção de foco no usuário, objetivos e conceitos.

Disse que entraria em contato por telefone depois, mas era para eu “ir pensando no preço” baseado nas informações recebidas. Como de praxe, eu respondi com um dos meus e-mails padrão, típico para esse tipo de situação. Nele eu explico a importância do ‘briefing‘ para a confecção de uma proposta adequada e informo todos as minhas frentes de atuação indicando o link do meu formulário online para ser preenchido.

Dois dias depois, meu telefone toca quase na hora de buscar as crianças na escola, e acabei dessa vez, inexplicavelmente, atendendo. Era a prospecção, que se apresentou remetendo à indicação do meu amigo e eu a cumprimentei imediatamente. Vou tentar refazer a conversa usando abaixo uma narrativa para vocês entenderem o contexto:

Prospecção – “Vem cá, esse seu formulário precisa ser preenchido todo é? Porque eu vou levar muito tempo nele e eu só quero um site como eu te disse no e-mail. E você ainda leva até 48h para enviar uma proposta!”

Eu – Exatamente. Na verdade esse formulário foi criado pensando em questões técnicas e conceituais que ajudam a entender quem é o cliente, o que é o projeto e principalmente, quem é o seu público…. (interrompido)

Prospecção – “É mais, isso vai demorar muito! E pelo que eu vi no seu site e no seu e-mail, essa coisa de fazer um site é muito demorada. Pedi para o seu amigo fazer o site e ele disse que estava atarefado e aí levou muito tempo para me indicar você, e agora pelo que eu vejo isso é muito comum essa burocracia.”

Eu – Então, eu sou freelancer, e tenho custos mensais fixos, por isso tenho que fazer projetos sempre. Tanto que se você preencher o formulário, eu enviarei uma proposta comercial com uma previsão de início de produção para daqui há 15 dias, pois estou com um projeto atualmente… (interrompido novamente)

Prospecção – “Nossa, você só pode começar daqui há 15 dias? Caramba, que dificuldade para fazer só um site hein! Bom, eu vou ter que levar essa situação para o grupo e ver o que eles decidem fazer, porque assim está complicado viu!”

Então eu me despedi agradecendo o contato, e a prospecção ainda terminou o telefonema reclamando do meu formulário!

Claro que não era preciso ser o Demolidor para perceber a furada nesse caso não é mesmo?

Evite "empregadores" como Wilson Fisk (The Kingpin)

Evite “empregadores” como Wilson Fisk (The Kingpin)

Eu só citei ele nesse artigo para ilustrar o conceito de escolher cuidadosamente os nossos clientes. Então eu resolvi fazer um compilado de pequenas dicas que podem ter sido criadas pelo Matthew Murdock. Vamos à elas:

Fique atento como o cliente se comunica

Seja por e-mail, seja por telefone, redes sociais e até mesmo no próprio site. Tudo vale como referência para saber com quem você está lidando. Lembram no começo do artigo que eu citei sobre o e-mail mal escrito que eu recebi, e que isso era relevante? Pois é, nessa mensagem eu percebi que a prospecção não dava a menor importância com a comunicação. Nem no e-mail de contato, nem no telefone houve cuidado na forma de contar as suas necessidades e aspirações do projeto, principalmente com o seu público-alvo que foi deixado completamente de lado.

Barganhando desde o primeiro contato

Se no primeiro contato o cliente já diz que está descapitalizado e você percebe claramente que o foco dele é conseguir um orçamento barato e não uma comunicação com o seu público-alvo, fuja! Nada do que você fizer ou disser o agradará. Tente mudar o escopo do projeto reduzindo funções e economizando tempo de produção, mas se ainda sim o cliente insistir na redução do valor, o jeito é agradecê-lo pelo contato e recusar o trabalho.

Só pago na entrega, ou pago se eu gostar do trabalho

Típica situação da chamada licitação especulatória! Ou seja, o cliente está leiloando o pagamento dele em quem fizer o trabalho que ele mais gostar, ou seja, você não sabe que está concorrendo com outros profissionais e que se o seu projeto não for do agrado dele, você simplesmente não receberá e terá perdido tempo à toa. Essa prática nociva gerou inclusive a criação de sites de leilão de trabalho. Fuja ao primeiro sinal disso como Diabo foge da Cruz!

Vai vendo o lance do site com o meu filho e quando vocês terminarem eu opino

“É cilada Bino!” – Óbvio que isso vai dar problema mais a frente. O cliente pedirá tantas alterações e ajustes depois que você praticamente perderá o tempo de produção inicial e terá que fazer tudo de novo, e dificilmente conseguirá convencê-lo a pagar dobrado. A não ser que cobre por hora, o que é bastante raro.

Eu consigo fazer esse projeto mais barato com um amigo

Frase recorrente de prospecção. O que eu costumo dizer é que SEMPRE tem alguém cobrando mais barato do que eu, da mesma forma como tem mais caro também. A questão aqui é o cliente usar isso como forma de barganhar o preço do seu trabalho. Quando ele insiste nesse comportamento e eu percebo que ele só quer o desconto, recuso a proposta liberando ele para fazer o projeto “com o seu amigo“.

Você não consegue fazer esse meu site rapidinho entre um projeto é outro? Ele é bem simples!

É a maior falácia do mundo na produção de projetos. Simples não é sinônimo de rápido e muito menos fácil. Eu sempre deixo claro a minha metodologia de criação desde o início e não abro mão disso nas minhas produções.

Use o sexto-sentido do Demolidor na hora de escolher os seus clientes

Use o sexto-sentido do Demolidor na hora de escolher os seus clientes

Mensagem final

Bom, depois de ler todas as dicas, você deve estar pensando assim:

“ok @cristianoweb, ou você é rico, ou está sobrando clientes para você hein?”.

Realmente, não é fácil recusar clientes, principalmente entre os anos de Copa do Mundo no Brasil e Olimpíada no Rio de Janeiro. As empresas não estão contratando, e o mercado recuou os investimentos em comunicação nesse último período. Em 2014 eu contrai uma dívida por conta de 8 meses sem novos contratos e foi bem difícil. Aliás, ainda está sendo em 2015!

A questão é que se nós abaixarmos a cabeça só “pra fazer caixa“, nunca chegaremos num nível aceitável de boas condições de trabalho como freelancers. É preciso ter criatividade, foco e determinação, que aliado ao equilíbrio familiar financeiro, ou seja, cortar custo, evitar desperdícios nessa época de vacas magras, é provável que haja menos sofrimento no período.

Aqui no #bunkerweb eu entoo o meu mantra:

“Não sou designer self-service! Quer site rapidinho, faça você mesmo usando o Wix!”

Abraços e até o próximo artigo!
😉