Na linguagem da vovó estamos falando do velho chavão “o segredo é a alma do negócio.” E você não imagina quantos segredos há na alma dos empreendimentos de sucesso. Se você preferir, pode também chamar de “o pulo do gato”, o importante é estar ciente que o que faz do seu negócio algo de sucesso ainda que você esteja no mesmo ramo de milhares de outros empresários falidos não pode e nem deve ser de domínio público.

Por que exigir confidencialidade dos seus colaboradores?

Quando se tem talento para algo, as ideias mais geniais surgem na cabeça do empreendedor de forma natural e, por isso, parecem bobas, comuns e até mesmo sem importância. Não se engane! Muitas vezes é a azeitona misturada  ao recheio da coxinha que faz o buffet da sua vizinha ter muito mais clientes do que outros que não atentaram para esse detalhe.

É claro que a azeitona na coxinha é uma metáfora, mas, o que torna o seu negócio diferenciado em relação aos demais deve ser mantido em segredo por uma razão simples: Se for descoberto o seu segredo qual será o diferencial do seu negócio?

Eu mesma já tive que assinar um contrato desses tamanha a especificidade das estratégias de marketing para encantar clientes de uma empresa em que trabalhei. Tudo era pensado de uma maneira única, criada e voltada para a marca com metodologia exclusiva de abordagem, técnicas de vendas, programação visual, reuniões com clientes. E isso se renovava a cada seis meses. Sem dúvida foi um daqueles trabalhos que te ensinam para o resto da vida.

O que deve ser ou não confidencial?

O meu lado filha única exclusivista grita que tudo deve ser mantido em segredo. Mas, não é bem assim. O que deve ser primeiramente analisado é o impacto que o vazamento de certas informações da sua empresa pode causar. Porque, além de fornecer armas para a concorrência, esse vazamento pode expor a sua empresa a imbróglios como questionamentos dos famosos “críticos de tudo” que, a depender de como são feitos e divulgados podem abalar a sólida imagem arduamente construída ao longo dos anos.

Portanto, é importante especificar o que é confidencial dentro do seu negócio e detalhar a informação ao máximo. Até porque o seu funcionário de hoje, pode ser seu concorrente amanhã e se a informação a ser mantida em sigilo requer patentes e tudo mais, não marque bobeira e procure um advogado.

No contrato o termo confidencialidade deve ser explícito como sendo algo que abrange todos os tipos de comunicação, incluindo a verbal, porque, quem conta um conto aumenta um ponto mas não esquece o conto. Seja método, tecnologia, estrutura organizacional ou o que for. Se você julga que este ou aquele detalhe do seu negócio é o que faz dele um sucesso, não tenha dúvidas e exija total sigilo a respeito. E por escrito.

Das penalidades por quebra de sigilo

As formas de pagar pelo erro devem estar explícitas também no contrato. É possível exigir o pagamento de uma multa pré-fixada além da dispensa por justa causa, claro. O ressarcimento dos prejuízos causados à empresa pelo vazamento da informação e ainda uma indenização pela quebra do devido sigilo. Se a penalidade escolhida for o ressarcimento dos lucros perdidos a empresa fica comprometida a comprovar tais prejuízos.

E o prazo de validade?

Bem, tudo depende do tipo de informação a ser mantida em sigilo. Dados financeiros por exemplo, tem um contrato de confidencialidade que pode expirar assim que a empresa declarar seus ganhos no final do ano. Porém, metodologias de trabalho e rotinas corporativas específicas podem ser mantidas em segredo para sempre, desde que o funcionário assine um contrato que conste isso, ou seja, uma cláusula que diga que, mesmo que não esteja mais trabalhando na empresa ele não está autorizado a divulgar tais informações.

Eu assinei um desses que dizia que mesmo depois de ter trabalhado lá (por 5 anos), se divulgasse qualquer uma das práticas constantes do manual de normas e procedimentos da empresa, pagaria uma multa nada barata. Mas eu adorava trabalhar lá…

Sabe onde? Não posso contar. É segredo!

Beijo me clica!®